Veio-me a mente de súbito...
A vida pode não esperar pela vida,
Ela às vezes não da tempo ao viver.
O brilho da lua mostrou-me que o futuro eu poderia não voltar a ser o mesmo.
Nós, crianças velhas, não sabemos nada sobre o viver,
Não sabemos nada sobre as bolhas de sabão,
Sobre as nuvens de algodão.
Pássaros sem asas.
Rios sem correnteza.
Bonecos infláveis com olhos de zumbis.
Ela veio caminhando em minha direção
Vagarosamente, timidamente como de costume.
Porem não a recusei como muitos fazem.
Fiz-me estático e a permiti.
Ela deu-me um doce beijo e disse-me: - Seus olhos podem ser ainda mais bonitos!
Seu nome era vida.
Já não sou a mesma criança.
Sou ainda mais criança.
Os olhos ainda não muito fundos de sabedoria,
Porem ainda mais sábios,
E com um brilho latente, ofuscante, delicioso.
Logo à minha frente vejo um caminho;
Para os lados e atrás vários caminhos;
Olho para cima é onde está o chão;
Aos meus pés está o céu.
Sou ainda mais criança, amigo.
Por isso sou ainda mais eterno.
Mesmo que seja por um instante...
Escrito por Fernandokrigha às 08h48
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